domingo, 28 de outubro de 2007

Amaciante

Lembro-te ao amanhecer.
Quase dormindo,
Quase acordando...
Entre lençóis com cheiro de amaciante,
Teu leve sorriso,
Um afago na alma.
E a certeza irritante
Que sempre chegava a hora
De te deixar partir...
Os pacientes, mais do que impacientes,
Esperavam por ti.
Passava o dia.
Andava pelo tempo,
Eu, pensando em ti...
Entre sua mensagem de “cheguei bem”
Até o telefonema de “morreu alguém”,
Ou não...
Ou mais apenas algumas suturas,
Nas vidas duras assistidas
Na tua diária lida.
Disso nunca esqueci...
Hoje não vejo mais teu amanhecer,
Nem teu sorriso,
Nem espero a hora de tua partida.
Só sei que restam os pacientes,
Sempre impacientes...
Esperam-te,
Já não sei mais onde,
Nem para quê.
Não existem mensagens,
Nem telefonemas...
Ando perdida no meu universo,
Repleto de fonemas
Que já não dizem nada a ti...
Para mim,
Só restam agora os lençóis.
E a certeza irritante
Do cheiro de amaciante.