O amor faz companhia. Em todas as suas fases... Ah, o começo. De repente, uma vontade de ver aquela pessoa, um pensamento rebelde que teima em nos perturbar nos momentos mais inoportunos. Com um pouco de sorte e sincronia astral, essa pessoa começa a retribuir nossa atenção, surgem troca de olhares, seguidas de conversas mais animadas e excitantes, mensagens no celular, e-mails, telefonemas, encontros casuais, etc... E a vida começa a ficar mais interessante, tudo mais colorido, as músicas mais tolas parecem ter tanto sentido... É o amor preenchendo nossos espaços vazios.
Depois o primeiro beijo, todos os outros beijos, o fato consumado, todas as segundas, terceiras, quartas intenções realizadas. Explodimos de tanto desejo, tamanha ansiedade de estar perto daquela criatura que colocou nossa cotação lá em cima e nos fez sorrir das mais puras tolices cotidianas.
Mas de repente, sem que nem pra quê, tudo sai dos trilhos. Dissolve no ar. Acaba a atenção, as conversas intermináveis, as mensagens afetuosas, os beijos calorosos. Parece que fica um vazio no peito, mas não. O amor ainda está lá. Ele não sai de cena assim, não é como poeira que conseguimos espanar e pronto. Ele fica em algum lugar dentro de nós, muitas vezes quietinho, outras vezes tem vontade de gritar, mas envergonhado, chora. Ele nos acompanha, parece ter vontade própria. E permanece ali, deitado na cama, dentro do carro, nas páginas dos livros, gravado no Ipod, atrás de nossos sorrisos, embaçando nosso olhar...
Não se pode negar que o amor ensina muita coisa. Ensina gente a ser gente, a enxergar o mundo com mais sensibilidade. De uma forma ou de outra, acaba destruindo as muralhas que construímos ao nosso redor. Aprendemos a nos expor a vida e ao inesperado que a acompanha. De tudo que se pode dizer a respeito do amor, uma coisa é certa: melhor é ter sua companhia do que andar vazio. Ou melhor, sozinho.
