O que nos choca quando acontecem
essas grandes tragédias, o que realmente nos entristece, é encarar, na
realidade, a finitude da vida. É o se dar conta que a vida é como uma vela
acesa, qualquer vento que passar pode simplesmente apagá-la.
Nesses momentos
entendemos que a morte faz parte da vida, que nos espreita em qualquer esquina.
Pode vir travestida de violência, doença, imperícia, incompetência, imprudência...
Não importa o traje que ela vista, ela está lá. Espiando-nos com seus olhos de
águia, prestes a soprar nossas velas. Qualquer jovem daquele poderia ser eu,
poderia ser você, poderia ser qualquer um que amamos ou consideramos. Ao vê-los
partir assim, pensamos em nós.
A tragédia coletiva desperta nossa tragédia
individual, talvez nosso maior erro. Um erro ocidental. Não entender a morte,
nossa única certeza. E ela não vai nos avisar, não há muito o quê fazer quanto
a isso. O que nos resta, então? Não
esquecer que ela existe. Levantar todos os dias sabendo que somos FINITOS, que
tudo pode acabar em frações de segundos.
Lembrar que nosso tempo é
precioso demais para não sorrir, para guardar rancor, para empurrarmos com a
barriga a resolução de certas coisas que podemos simplesmente fazer hoje, aqui,
agora. Amanhã pode ser tarde, daqui a
pouco pode ser escuro.
Isso é o que nos choca. A
percepção que o amanhã não vem para algumas pessoas.
Pessoas como nós. Repletas de coisas, pessoas, sentimentos, expectativas, frustrações,
sonhos, recordações, quereres, como nós.
Então, USEMOS A VIDA. Usemos da melhor forma que for e até onde der.